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Cinema e Vanguardas Históricas março 17, 2007

Posted by igmaiki in Cinema.
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Cinema e Vanguardas Históricas

Na Europa, já a partir dos anos 10 [do século XX] e com maior intensidade nos anos 20, desenvolve-se uma complexa interação entre cinema e vanguardas artístico-literárias.

Falar de interação entre cinema e vanguardas e não diretamente em “cinema de vanguarda” implica o reconhecimento da diversidade dos dois fenômenos (as vanguardas, de um lado, e o cinema, do outro), que se relacionaram com formas, finalidades e resultados profundamente diferentes.

O cinema, em seus vários aspectos de dispositivo técnico-científico, de indústria cultural, de novo instrumento de comunicação, constituía por si só um fenômeno profundamente inovador ou até revolucionário, e justamente em relação ao plano tradicional das artes. Tudo isso foi bem entendido por Benjamin (1936), que estabeleceu uma profunda ligação entre o novo estatuto da arte “na época de sua reprodutibilidade técnica” e o desenvolvimento de um possível uso revolucionário.

Com a linguagem que parece ressentir-se dos mais incandescentes manifestos da vanguarda soviética, Benjamin descreve assim o advento do cinema: “Depois chegou o cinema e com a dinamite dos décimos de segundo fez explodir este mundo semelhante a uma prisão; desta forma estamos em condições de empreender tranquilamente viagens aventurosas entre suas ruínas dispersas” (Benjamin, 1936, 41).

Para o cinema, exatamente por essas características, olharam com grande interesse todas as vanguardas históricas. Muitas vezes, daí tiraram indicações para o questionamento radical dos valores estéticos tradicionais (por exemplo, o futurismo) e para o ‘trabalho destrutivo’ em relação à odiada cultura ‘burguesa’ (como ocorreu no dadaísmo). Em outros casos, o cinema se torna o ponto de referencia ou um campo de experiência para a elaboração de uma nova estética e para a atribuição de novas funções à linguagem artística (é o que acontece, ainda que em forma diversas, no surrealismo e na vanguarda soviética).

No âmbito da interação entre cinema e vanguardas históricas podem caber fenômenos muito diferentes. O de artistas de vanguarda como Schönberg, Kandinsky, Ginna e Corra, Survage, Eggeling e Richter, que anteciparam ou concretamente experimentaram o emprego do cinema para dar uma dimensão dinâmica, rítmica e plástica e suas pesquisas sobre formas abstratas (ficando fora ou na fronteira da instituição cinematográfica). Há também o caso de cineastas que se inspiraram nas elaborações formais e temáticas das vanguardas artístico-literárias para a realização de seus filmes, como aconteceu com o cinema alemão, que constituiu um importante pólo de expansão e difusão do que o expressionismo tinha elaborado no campo literário, pictórico e teatral.

Agora, faremos uma resenha dos principais momentos da interação entre cinema e vanguardas históricas, evidenciando sobretudo as várias modalidades da interação (para conhecer o fenômeno nas suas distintas articulações remete para: Verdone, 1977, para um perfil de conjunto, Bertetto, 1983 e 1975, Rondolino, 1972 e 1977, Kurtz, 1926 e Tone, 1978, Quaresima,1979 para o que concerne a manifestos, projetos e documentos).

Expressionismo

No cinema alemão, depois da Primeira Guerra Mundial, a influencia do expressionismo pictórico, literário e teatral determinou o florescimento de uma série de filmes que têm seu marco saliente em O Gabinete do Doutor Caligari (1919), de Robert Wiene.

Com o termo caligarismo difundido após grande repercussão internacional do filme, pretende-se designar um estilo baseado em cenografias e métodos de representação de matriz teatral e pictórica com o fim de exprimir uma visão deformada de situações e ambientes em sintonia com os argumentos que apresentam personagens decididamente patológicas e vivências marcadamente emblemáticas. Em O Gabinete do Doutor Caligari, uma série de delitos misteriosos é obra de um sonâmbulo manobrado durante uma louca experiência de um psiquiatra; mas tudo se revela, no final, uma alucinação de um doente mental.

Nos excessos do caligarismo está presente a exigência de um controle absoluto de todos os elementos da encenação que é provavelmente a herança mais importante da experiência do cinema expressionista e do Kemmerspielfilm.

Com esse ultimo termo, colocado em Kammerspiel (teatro de câmara), cunhado por Max Reinhardr, se designa um grupo de filmes com roteiro de Carl Mayer, que fora co-autor do roteiro de O Gabinete do Doutor Caligari, com algumas características em comum: ambientação em espaços unitários rigorosamente delimitados; uma atenção particular aos objetos que, além de assumir funções precisas no plano da dramaturgia, assumem complexas valências simbólicas; movimentos de câmera (travellings, panorâmicas) e variações dos ângulos de filmagem destinados a uma acentuação dos efeitos dramáticos; uma sistemática limitação, levada à quase total eliminação, do uso das legendas, com o objetivo de chegar a um tipo de narração baseado em elementos puramente visuais e universalmente compreensíveis. Este ciclo de filmes, que compreende Escada de Serviço (1921), de Paul Leni e Leopold Jessner, Destroços (1921) e A Noite de São Silvestre (1923), de Lupu-Pick. Tem a sua conclusão em A Última Gargalhada (1924), de Friedrich W. Murnau, uma película em que a mais rigorosa estilização da encenação convive com um grande respeito pelas convenções do realismo cinematográfico. O filme de Murnau, definido pelo maior teórico do encontro entre cinema e expressionismo (Kurtz, 1926, 87) “uma evidente obra-prima estilizada”, provocou um enorme interesse em Hollywood, cujos produtores, à caça de talentos europeus para inserir em suas organizações produtivas, lutaram para contratar a equipe inteira que o havia realizado.

A experiência do cinema expressionista deixou marcas profundas, e não somente no cinema alemão. Por um lado, é possível discernir, em alguns aspectos formais e sobretudo temáticos, obsessões a antecipações do que aconteceria durante a experiência do nazismo, como faz Kracauer (1947), em seu clássico estudo que, na edição original, leva o título From Caligari to Hitler (De Caligari a Hitler). Por outro lado, analisando os componentes formais e as técnicas de realização do cinema expressionista (ver Eisner, 1981), é possível localizar as bases metodológicas e estilísticas de um grupo de diretores, entre os quais se destacam Friedrich W. Murnau e Fritz Lang, operadores como K. Freund e F.AWagner, cenógrafos e atores que deram uma contribuição fundamental para o desenvolvimento da linguagem cinematográfica (mesmo depois da transferência para Hollywood, após a subida ao poder de Hitler, de uma considerável parte dos quadros artísticos e técnicos do cinema alemão).

Comentários»

1. LoL - dezembro 11, 2008

Lixo

2. Pissas - junho 16, 2009

Fuck you

3. Caligari « Um pouco de arte não faz mal. - outubro 5, 2010

[...] de pesquisa:  IGMAIKI – WIKIPÉDIA – [...]


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